Banco do Brics reduzirá dependência, dizem presidentes sul-americanos
Presidentes de países da América do Sul convidados a participar da cúpula do Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Brasília, afirmaram nesta terça-feira (16) que o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), criado pelo bloco, permitirá que países em desenvolvimento dependam menos de outros organismos econômicos globais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A criação do NBD foi anunciada durante a I Sessão de Trabalho da Cúpula, nesta terça (15), em Fortaleza (CE). O banco terá capital inicial de US$ 50 bilhões e poderá chegar a US$ 100 bilhões. A sede do Banco dos Brics será na China, o primeiro presidente será da Índia e o Brasil terá o direito a indicar o primeiro presidente do Conselho de Administração da instituição, cujo objetivo financiar projetos de infraestrutura em países emergentes. A presidente Dilma Rousseff defendeu uma "relação permanente" entre Brics e países sul-americanos.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs uma “aliança” do Banco do Sul, formado por países sul-americanos, com o NBD, como forma de combater “o capital especulativo financeiro”, que, segundo ele, “saqueia” as economias dos países emergentes.
“Seguramente, no futuro se recordará o dia 16 de julho. Começa a haver a cara de uma nova aliança, de uma nova geopolítica mundial, para o desenvolvimento, para a paz. Tomou-se a decisão de criar um banco de desenvolvimento do Brics e de um fundo de reservas, que é uma grande notícia para toda esta região da América do Sul”, declarou.
Maduro disse que também vai propor a criação de uma comissão especial para manter o trabalho dos países da América Latina com os membros do Brics. “Temos um processo convergente e vamos fazer todos esforços e luta política para que os Brics e a Unasul (União de Nações Sul-americanas) marchem juntos a partir de hoje”, declarou.
O presidente do Uruguai, José Mujica, que também participou a reunião dos Brics, disse que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento pode ser considerada uma “alternativa” para seu país.
"Eu acredito que quanto mais alternativas existirem, melhor. O mundo financeiro é imprevisível, e a insegurança e a volatilidade do mundo atual são muito grandes. Isso nos obriga a ter uma reserva. Meu país é muito pequeno, tem um PIB de US$ 52 bilhões e tem uma reserva de US$ 18 bilhões, o que é uma disparidade. Por que temos isso?”, disse o presidente.
Durante a reunião da cúpula, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que a decisão do bloco de criar o banco para financiar projetos de infraestrutura em países emergentes poderá “colocar ordem” no sistema de regulação e fomento financeiro internacional.
Aluna:Mirna Maria Barbosa Sarmento
Fonte:http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/07/banco-do-brics-reduzira-dependencia-dizem-presidentes-sul-americanos.html
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